Depois de programar o despertador, vem a difícil tarefa de esquecer a quantidade de coisas programadas para o dia seguinte, parar de contar as poucas horas de sono que ainda restam e ir dormir. No dia seguinte, o despertador tora, irritante, barulhento e incessante é e impossível não lembrar de um resumo do dia, antes mesmo dele começar, por fim, todas as obrigações são cumpridas e já é hora de deitar, conferir o despertador, contar as horas de sono e planejar as ações de um dia que ainda está por vir.
É desse misto de ansiedade e angústia que vem o prazer e a sensação de dever cumprido, para a aflita pessoa atarefada da cidade grande, aquele tempinho chamado de distração para ler o jornal ou para interagir é interrompido há todo instante por rápidas olhas ao relógio, afinal, durante a semana é importante cronometrar cada minuto, é feita uma promessa interna de que o tão esperado final de semana vai ser destinado inteiramente a relaxar.
Por fim, a tão esperada sexta-feira chegou e com ela, veio o alívio e a sensação de liberdade da rotina controlada por um relógio de pulso. Logo, toda aquela leveza dá lugar a um crescente desespero somado a uma solidão de não ter ninguém para fazer qualquer coisa. Existe a necessidade de descanso e uma parte do ansioso espera que o fim de semana passe devagar, enquanto a outra parte precisa voltar para a semana descontrolada que não permite que ele tenha tempo de pensar sobre qualquer coisa referente a ele mesmo.
Infelizmente, todas as ações, pensamentos e momentos foram controlados, exceto a ansiedade destrutiva de querer fazer tudo, mas sofrer por não conseguir fazer nem a metade em um dia tão curto, cheio e apinhado de deveres sem tanta urgência quanto a urgência de ser feliz. Todas as tarefas e trabalhos foram minimamente revisados e, mais uma vez, não sobrou tempo para ser feliz.

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