Foi num domingo, em que a família estava toda reunida em volta da grande mesa da sala de jantar, que meus pais e minha prima - que havia voltado há poucos dias de viagem da Europa - decidiram que eu deveria ter aulas de inglês. Inicialmente, a ideia de acordar cedo aos sábados só para ouvir um professor explicar inúmeras vezes o verbo to be me pareceu péssima, mas conforme a minha prima, Alice, ia contando todas as aventuras e belezas da Europa e todos, inclusive eu, ficamos maravilhados com toda aquela realidade que mais parecia ser sido tirada de um filme, aprender inglês não me pareceu mais uma ideia tão ruim.
Por fim, chegou sexta-feira, durante o jantar, uma longa conversa explicando ao meu pai que ele não precisava me levar à aula no dia seguinte. Então me preparei para dormir, mas não consegui, imaginando como teria sido o primeiro dia de aula da minha prima e se isso teve uma grande importância naquela viagem incrível que ela descreveu. Fui dormir muito tarde, sonhei com uma travessia e percebi que o devaneio estava demorando muito, levantei num pulo; 8h45min - a aula começava às 9 h - Desci as escadas correndo e, para o meu azar, não tinha mais ninguém em casa para pedir uma carona.
O metrô andava com a velocidade reduzida por conta de alguma estação que precisava de reparos e isso me atrasou em mais quinze minutos. Por fim, cheguei a escola de idiomas 10h15min e depois de terminar de preencher uma ficha de cadastro e assinar uma lista qualquer, corri até a minha sala. Ao passar pela porta, evitei olhar na direção de quem quer que estivesse dando aula.
Fiquei paralisado ao ver minha prima deixar o giz de lado e virar-se lentamente me perguntando o motivo do atraso. Foi então que eu percebi que a insistência nas aulas de inglês não tinha como objetivo um mochilão emocionante e cheio de aventuras em outro continente, mas sim, completar aquela sala praticamente vazia onde os poucos alunos copiavam maquinalmente o verbo to be.

Comentários
Postar um comentário